quarta-feira, 17 de abril de 2013

Marcos Bagno: Por um português do Brasil.


O linguísta Marcos Bagno é um exímio pesquisador do português brasileiro e suas consequentes variantes na fala do povo. Recomendo um livro que ele lançou no ano passado pela Editora Parábola: "Gramática pedagógica do português brasileiro", sem dúvida nenhuma uma das melhores obras de linguística lançada nos últimos vinte anos.

Abraços,
Juliana Gobbe

sábado, 6 de abril de 2013

Quintaneando.











DEDICATÓRIA

Quem foi que disse que eu escrevo para as elites?
Quem foi que disse que eu escrevo para o bas-fond?
Eu escrevo para Maria de Todo o Dia.
Eu escrevo para o João Cara de Pão.
Para você, que está com este jornal na mão...
E de súbito descobre que a única novidade é a poesia,
O resto não passa de crônica policial - social - política.
E os jornais sempre proclamam que " a situação é crítica"!
Mas eu escrevo é para o João e a Maria,
Que quase sempre estão em situação crítica!
E por isso as minhas palavras são quotidianas como o pão nosso 
[de cada dia
E a minha poesia é natural e simples como a água bebida na 
[ concha da mão.

Mário Quintana

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Leitor em formação.




Iniciaremos nossas atividades em 2013 no Espaço de Criação Literária Bertold Brecht conversando sobre a formação do leitor com enfoque nas pesquisas da espanhola Teresa Colomer.Na ocasião, discorreremos sobre a configuração da criança leitora na contemporaneidade, bem como, as relações que a crítica literária estabelece com a criação artística para a infância.

*Entrega de certificado de participação.

Abraços,
Juliana Gobbe

sexta-feira, 29 de março de 2013


A Berlim de Brecht: um roteiro pelos bastidores do teatro épico.


Por Roberto Almeida
                                                                                





























Foram apenas três anos vividos no número 125 da Chausseestrasse, de 1953 a 1956, mas a presença do dramaturgo e poeta Bertolt Brecht marcou definitivamente o endereço, no centro da antiga Berlim Oriental. A casa ampla, em três quartos, permanece intacta, assim como seus objetos pessoais. A decoração Bauhaus, austera, encontra motivos japoneses e oferece espaço para contemplação.

Sob as janelas grandes e luminosas, Elke Pfeil, especialista em Brecht e teatro, guia o visitante com detalhes sobre cada um dos objetos, irretocáveis em sua conservação. As hoje silenciosas máquinas de escrever, as máscaras de teatro japonês, uma foto de Lênin, a coleção de jornais antigos do Partido Social-Democrata alemão (SPD) e a longa fileira de livros com historietas policiais, paixão que partilhava com o filósofo Walter Benjamin.

“Estou agora vivendo na Chausseestrasse, perto do cemitério francês, onde generais huguenotes e Hegel e Fichte estão enterrados; todas as minhas janelas dão para o cemitério”, escreveu Brecht ao amigo Peter Suhrkamp, seu editor em Berlim Ocidental, em março de 1954.

                                                     Roberto Almeida/Opera Mundi


O autor, adepto de romances furtivos, também adorava os móveis antigos da casa e tinha carinho especial pelas cadeiras dinamarquesas, confortáveis e com assentos em couro. A Dinamarca foi seu primeiro destino após o incêndio no Reichstag, em 1933, que acabou virando definitivamente a mesa da política alemã para o lado de Adolf Hitler e passou a colocar sua vida em risco.

Mesmo antes da ascensão nazista, o autor já era conhecido pela montagem da Ópera dos Três Vinténs (1928), orquestrada por Kurt Weil e baseada no texto de John Gay (1728). A despretensiosa estreia berlinense da peça, naquele mesmo ano, fez um sucesso estrondoso e imortalizou personagens como o criminoso Mackie Messer (ou Mack the Knife, na versão original) e a senhorita Peachum.

A realidade, porém, empurrou-o para o exílio ao lado da mulher, a atriz Helene Weigel, com quem estava casado desde 1929. “Mudamos de país mais do que de sapatos”, lamentava Brecht, que não conseguia experimentar nos palcos o tanto quanto gostaria. Os períodos na Dinamarca, na Suécia, na Finlândia e nos Estados Unidos, para onde se mudou em 1941, nunca impediram sua produção, mas desaceleraram sua carreira.

                                                             
                                                                        Roberto Almeida/Opera Mundi
                                                


Como resultado, o teatro épico de Brecht, com sua quebra de paradigma, fincada na motivação social e no princípio do estranhamento, precisou esperar o fim da Segunda Guerra Mundial para se desenvolver plenamente. O epicentro dessa revolução nos palcos estava a poucos minutos de caminhada da casa da Chausseestrasse (veja no mapa disponível aqui).

O Berliner Ensemble, teatro fundado em janeiro de 1949 e dirigido por Helene Weigel, conserva até hoje a forte logomarca, também de inspiração Bauhaus, girando em seu topo. A casa de espetáculos brilha na área próxima à chamada ilha dos museus de Berlim, em frente ao rio Spree, com programações diárias em alemão. São comuns montagens das peças de Brecht, com ingressos bastante em conta.

O tour pelo teatro, organizado pelo ator holandês Werner Riemann, é imperdível e custa apenas dois euros (cerca de R$ 5). Mesmo quem arranha no alemão e conhece um pouco sobre Brecht consegue captar a essência do passeio, com duas horas e dezenas de histórias. Riemann é um personagem incrível da companhia, com mais de cinco décadas de trabalho dentro do Berliner Ensemble. Sua energia e memória são impressionantes. 
Com seus olhos azuis claros e sobrancelhas louras, aos quase 80 anos, o ator revela curiosidades da construção do teatro, como o uso de peças de tanques de guerra alemães, os Panzers, para montagem da estrutura giratória do palco, assim como os lugares cativos de Brecht e Helene Weigel na plateia e o significado das salas especiais, com máscaras em gesso dos principais atores que passaram por ali.

Sucesso e despedida

O rosto de um Brecht ainda jovem, bem no centro da coleção de máscaras, é uma homenagem ao autor que teve sua genialidade reconhecida nos palcos do Berliner Ensemble com a primeira montagem alemã de Mãe Coragem e Seus Filhos, em 1949, ano de abertura da casa. A peça antifascista, escrita em 1939, ano do início da Segunda Guerra, é um dos símbolos do ideário contra o nazismo e referência do teatro épico.

                                                               

                                                                        Roberto Almeida/Opera Mundi
                                                                 


Poucos anos depois, em 1956, o autor morreria na casa da Chaussestrasse de um ataque cardíaco fulminante e seria sepultado no cemitério ao lado - o mesmo descrito na carta ao editor dois anos antes - perto de seus ídolos Fichte e Hegel. Ele tinha apenas 58 anos. Helene Weigel continuou morando ali até sua morte, em 1971. Seus livros de receitas húngaras ainda hoje forram as estantes da cozinha simples.

O Berliner Ensemble, que Helene dirigiu por toda a vida, experienciou altos e baixos sob o controle do governo comunista da Alemanha Oriental. Até sua morte, Brecht tinha proteção e privilégios do SED, o partido comunista alemão, como acesso a jornais ocidentais, carro com motorista e empregados. O muro só seria construído cinco anos após sua morte. Ele nunca se filiou.

Após a queda do muro, o teatro passou a ser gerido por um time de diretores. As peças de Brecht não são as únicas a serem encenadas, mas fazem parte dos programas mensais. Os ingressos custam entre cinco e 30 euros. Todas as montagens são em alemão.


                                       
                                                    Roberto Almeida/Opera Mundi

 Fonte: Ópera Mundi

Abraços,
Juliana Gobbe

segunda-feira, 25 de março de 2013

Martinha versus Lucrécia








"No seleto grupo de grandes críticos literários do Brasil, Roberto Schwarz ocupa lugar de grande destaque. Sua inovadora abordagem das relações entre a forma ficcional e a estrutura de classes nos romances de Machado de Assis é fruto das mais avançadas formulações nas áreas da teoria estética, da história e da sociologia. Lúcido entusiasta do método dialético no combate às ideologias regressivas, o autor alcançou também o reconhecimento internacional, sobretudo com os livros Um mestre na periferia do capitalismo e Ao vencedor, as batatas.
Em Martinha versus Lucrecia estão algumas das melhores peças da crítica literária do autor, que, além de Machado de Assis, contempla nomes como Caetano Veloso - com um ensaio inédito sobre a autobiografia Verdade tropical -, Chico Buarque, o poeta Francisco Alvim e o filósofo Theodor Adorno.
Esses trabalhos de grande fôlego dialogam com prefácios e homenagens dedicados a amigos como Bento Prado, Francisco de Oliveira e José Arthur Giannotti. Entremeadas com os ensaios, o leitor encontrará ainda entrevistas concedidas pelo crítico, que esclarecem aspectos decisivos de seu trabalho e formação intelectual. O conjunto fornece uma espécie de balanço de suas intervenções críticas nos últimos quinze anos, abrangendo campos tão variados como política, arquitetura, filosofia e cinema".

“Roberto Schwarz é um dos maiores críticos culturais do mundo. Leio tudo que posso sobre ele.” - Susan Sontag, Folha de S.Paulo


“Roberto Schwarz é o melhor crítico dialético em qualquer lugar do mundo desde Adorno.” - Perry Anderson, London Review of Books


Fonte: www.companhiadasletras.com.br

domingo, 17 de março de 2013

Mário Raul de Morais Andrade



Eu Sou Trezentos...

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, 
As sensações renascem de si mesmas sem repouso, 
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras! 
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as milhores palavras, 
E os suspiros que dou são violinos alheios; 
Eu piso a terra como quem descobre a furto 
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, 
Mas um dia afinal eu toparei comigo... 
Tenhamos paciência, andorinhas curtas, 
Só o esquecimento é que condensa, 
E então minha alma servirá de abrigo.

Mário de Andrade


Abraços,
Juliana Gobbe