sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tecendo poemas com Amarilda Marques


 A escritora Amarilda Marques concedeu ao Espaço de Criação Literária uma entrevista contando um pouco sobre o seu mais recente trabalho, o livro: Tecendo Poemas.


 Ala Jovem-Como foi o seu primeiro contato com a literatura?


AMARILDA MARQUES- Muito cedo. Ganhei um concurso literário aos oito anos. Na escola onde eu estudava produzia uma redação toda sexta-feira na aula de Língua Portuguesa e eu adorava, não via a hora de chegar esse dia para colocar no papel as ideias que fervilhavam na minha cabeça a semana toda.Minhas redações nessa época eram muito longas, mas, pareciam um conto.


Ala Jovem- Qual é o papel do escritor na sociedade contemporânea?

AMARILDA MARQUES- Em primeiro lugar escrever e depois tentar com a sua obra literária atingir todos os patamares da sociedade e levar aos seres humanos que formam essa sociedade através de poemas, contos, novelas, filmes, músicas...enfim...histórias que possam mexer com o imaginário de todos tocando-os de alguma maneira e levando-os a refletir acima de tudo sobre seus direitos, deveres e valores já que estamos vivendo numa era de violência e muita falta de amor. Com a literatura podemos notar transformações nas pessoas que tiveram a chance de ter em mãos certas obras. Desejo que a sociedade moderna se renda aos encantos do mundo e se torne uma sociedade melhor, mais humana e sensível.

Ala Jovem- Como se deu o processo de criação do seu livro mais recente?


 AMARILDA MARQUES- Ao longo do tempo fui escrevendo e guardando meus poemas...eram vários e quando surgiu a oportunidade eu apenas selecionei e comecei a montar o livro. Foi um processo demorado, pois já aguardava há anos pela realização desse sonho. Eu tinha vários trabalhos publicados em coletâneas de verso e prosa e lançar meu primeiro trabalho individual foi o máximo.

Ala Jovem- Como é a sua relação com os leitores?

 AMARILDA MARQUES-  Eu costumo dizer que a maioria das pessoas ainda não tomou gosto pela leitura e não costuma ler poesia, por isso, não têm como opinar, cho que no Brasil ainda falta espaço para os escritores, pois o público leitor é pequeno. Fico triste...existem livros bons no mercado,mas, ninguém compra. As pessoas que souberam que eu escrevi o livro, gostaram e me elogiaram bastante. Eu procuro escrever numa linguagem simples para atingir todas as classes sociais e todos os tipos de público e espero sempre que eles possam se inspirar e que notem semelhanças entre a vida deles e a que está no papel.



Ala Jovem- Fale sobre seus projetos futuros.

AMARILDA MARQUES- Meu próximo projeto é um livro de contos . Já existe até uma certa cobrança por parte das pessoas. Mais tarde pretendo publicar um livro infantil que já está quase pronto só preciso das ilustrações.

Abraços,

Juliana Gobbe

sábado, 7 de abril de 2012

Feira Literária de Bogotá leva 48 escritores brasileiros.

País homenageado na 25ª Feira Internacional do Livro de Bogotá, que começa no dia 18, o Brasil investiu R$ 3,4 milhões para organizar a programação que contará com 48 autores nacionais, além de músicos e artistas.

"O Brasil é a bola da vez, e a literatura é um caminho para apresentar o país", disse o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim.

Segundo ele, a feira de Bogotá é a primeira de uma série em que o país será homenageado nos próximos anos -com destaque à de Frankfurt, a mais importante do mundo, em 2013- e faz parte da estratégia da FBN para ampliar a presença de autores nacionais no exterior.

O pavilhão brasileiro, desenhado pela cenógrafa Daniela Thomas, ocupará um sexto da área total da feira e terá auditório, espaços gastronômicos e de negócios, além de uma livraria com dez mil volumes de autores nacionais, tanto em português quanto em espanhol.

A seleção dos escritores que participarão do evento levou em conta sugestões dos organizadores -que indicaram nomes conhecidos na Colômbia, como Nélida Piñon, Ziraldo e Affonso Romano de Sant'anna- e de editoras nacionais.

A lista buscou "pluralidade", misturando jovens como Ferréz, João Paulo Cuenca e Daniel Galera a nomes consagrados como Marina Colasanti, Silviano Santiago e Lêdo Ivo.
                                         Marina Colassanti

                                          Ferréz


Também foi convidada Margarida Patriota, autora de 26 livros e irmã do ministro das relações exteriores, Antonio Patriota, cujo ministério é um dos patrocinadores do evento. O MRE e a Biblioteca Nacional afirmam que a autora não terá despesas pagas pelo governo. "Ela nos consultou para saber se haveria inconveniente em razão do parentesco", disse o presidente da biblioteca".



Abraços,

Juliana Gobbe

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Brasil sem Millôr


A literatura  perde hoje uma das inteligências mais fulgurantes do país. Millôr Fernandes dentre muitas coisas fundou o famoso Pasquim. O artista desenhou e satirizou a cena brasileira como poucos. Também ficou muito conhecido por suas traduções impecáveis da obra de Shakespeare.

Abraços,
Juliana Gobbe

sábado, 17 de março de 2012

Literaturanossa



O sarau Literatura Nossa é realizado pela Associação Cultural Literatura no Brasil para fortalecer e incentivar a literatura na periferia de Suzano.
Onde: Ponto de Cultura Círculo das Letras: Rua Bandeirantes, 606. Jardim Revista. Suzano – SP
Quando: terceira sexta-feira do mês, às 19h30
Quanto: gratuito
Informações: (11) 4752-3996

Abraços,

Juliana Gobbe

sábado, 10 de março de 2012

Clarice...O primeiro beijo



Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

Clarice Lispector

(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998


Abraços,

Juliana Gobbe