segunda-feira, 25 de março de 2013

Martinha versus Lucrécia








"No seleto grupo de grandes críticos literários do Brasil, Roberto Schwarz ocupa lugar de grande destaque. Sua inovadora abordagem das relações entre a forma ficcional e a estrutura de classes nos romances de Machado de Assis é fruto das mais avançadas formulações nas áreas da teoria estética, da história e da sociologia. Lúcido entusiasta do método dialético no combate às ideologias regressivas, o autor alcançou também o reconhecimento internacional, sobretudo com os livros Um mestre na periferia do capitalismo e Ao vencedor, as batatas.
Em Martinha versus Lucrecia estão algumas das melhores peças da crítica literária do autor, que, além de Machado de Assis, contempla nomes como Caetano Veloso - com um ensaio inédito sobre a autobiografia Verdade tropical -, Chico Buarque, o poeta Francisco Alvim e o filósofo Theodor Adorno.
Esses trabalhos de grande fôlego dialogam com prefácios e homenagens dedicados a amigos como Bento Prado, Francisco de Oliveira e José Arthur Giannotti. Entremeadas com os ensaios, o leitor encontrará ainda entrevistas concedidas pelo crítico, que esclarecem aspectos decisivos de seu trabalho e formação intelectual. O conjunto fornece uma espécie de balanço de suas intervenções críticas nos últimos quinze anos, abrangendo campos tão variados como política, arquitetura, filosofia e cinema".

“Roberto Schwarz é um dos maiores críticos culturais do mundo. Leio tudo que posso sobre ele.” - Susan Sontag, Folha de S.Paulo


“Roberto Schwarz é o melhor crítico dialético em qualquer lugar do mundo desde Adorno.” - Perry Anderson, London Review of Books


Fonte: www.companhiadasletras.com.br

domingo, 17 de março de 2013

Mário Raul de Morais Andrade



Eu Sou Trezentos...

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, 
As sensações renascem de si mesmas sem repouso, 
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras! 
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as milhores palavras, 
E os suspiros que dou são violinos alheios; 
Eu piso a terra como quem descobre a furto 
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, 
Mas um dia afinal eu toparei comigo... 
Tenhamos paciência, andorinhas curtas, 
Só o esquecimento é que condensa, 
E então minha alma servirá de abrigo.

Mário de Andrade


Abraços,
Juliana Gobbe


domingo, 10 de fevereiro de 2013

115 anos de Brecht



Há 115 anos nascia na Alemanha o artista multifacetado Bertold Brecht. Sua obra ainda hoje demanda grande interesse por parte de estudiosos de áreas diversas. Brecht navegou pelo cinema, teatro e poesia. Dono de uma ironia aguda... fez de seus textos grande deleite oposicionista da sociedade vigente. Com um pensamento nenhum pouco dogmático embrenhou-se nas fundas camadas da ensurdecida república de Weimer.
A luta de classes, a condição miserável da vida operária, a fragmentação do homem pela tecnologia eram assuntos recorrentes tanto no teatro como na poesia. Costumava dizer que o escritor que se preze deve estar totalmente comprometido com a verdade.
Seu teatro num primeiro momento chamado de "épico" ganharia mais tarde a classificação pelo próprio autor de "teatro dialético". Todas as suas peças ainda hoje são extremamente atuais em virtude da temática abordada por elas: O ser humano e sua sobrevivência no sistema capitalista.
Já na poesia o autor alemão denominava-se "lírico" embora quem as leia descubra nelas altas doses épicas com pitadas amargas da típica ironia brechtiana.
Brecht é vendaval...acordando nossa indignação diante das injustiças do mundo. Pensando nele escrevi o livro: Óculos de Marfim...singela homenagem.

  Pausa para Brecht


   galinhas e pães
   levam muita gente pra cadeia
   em Brasília faz 40 graus
   todos usam óculos
                                                      


                                               
                                                     
Abraços,
Juliana Gobbe





sábado, 9 de fevereiro de 2013

Preconceito linguístico


"É um verdadeiro acinte aos direitos humanos, por exemplo, o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas de televisão, principalmente da Rede Globo. Todo personagem de origem nordestina é, sem exceção, um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador. No plano linguístico, atores não-nordestinos expressam-se num arremedo de língua que não é falada em lugar nenhum no Brasil, muito menos no Nordeste. Costumo dizer que aquela deve ser a língua do Nordeste de Marte! Mas nós sabemos muito bem que essa atitude representa uma forma de marginalização e exclusão." (BAGNO, p. 44)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Inéditos e Dispersos




Sonho

Entre os complementos
uma massa se agita,
indecisa.
Por sobre os remendos
uma nuvem se estica,
esbranquecida.
Unindo os membros
uma luz principia
unida.
Entre os complementos.

Ana Cristina Cesar